Na rua fria, o vento corta o vago,
Onde a brancura, em desatino, esplende;
A carne, em curvas, o luar suspende,
Num desenhar de um luminoso afago.
O corpo — estátua! — em mármore, um amago
De nádegas que o ar, em névoa, prende;
É o vulto audaz que a noite em luz acende,
Nesse contraste, em lúbrico afago.
Formas que desafiam o frio severo,
Escultura de luz na sombra errante,
Numa exposição de um brilho etéreo.
Beleza pura, em desvario constante,
Que faz do asfalto, o seu império austero,
No espasmo vivo de um luar vibrante.
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