Na névoa vaga, onde o vago se desprende,
Treme a luz, espectral, em brilhos frios;
São fluidos de almas, lácteos, pálidos rios,
Que o espírito em clarões de dor acende.
Tudo é bruma que a vista não compreende,
Nesta luz que se esvai nos desvarios,
Onde os astros, silentes e sombrios,
A fulgência do nada nos suspende.
Ó névoa! Ó luz! Em estranha claridade,
Onde o ser se dissolve, em doce espasmo,
Nesta busca de etérea imensidade.
No centro desse vago, desse abismo,
A alma alcança a excelsa liberdade,
No rastro de um divino, audaz lirismo.
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