Baudelaire, o artífice da estranha sombra,
Que fez do abismo o seu altar de luz!
Na tua pena, o vício se traduz
Em música que o espírito assombra.
Tua lírica — um espectro que desombra
O lado oculto da alma que seduz;
Pois no negror da dor que nos conduz,
A beleza, em seu luto, se alfombra.
Cidades de metal, névoas de fel,
Onde o Spleen em carícias se desata,
E o Ideal ascende em brilho de éter e mel.
Ó, rei da essência, em verso de cascata,
Que revelou, no peito desse céu,
A própria flor que da agonia brota!
Nenhum comentário:
Postar um comentário