terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Ojos

1

 los ojos de mi madre

son el viento del perdón ¡ai, lloro! ¡ai, llorán!



2

los ojos de mi abuelo son naranjas pero mi abuela tiene ojos de la mar son azule como el beso de la niña blanca y la luna es serena y la voz de la verdad canta, ¡ay, como canta¡


3

mi hermano tiene un ojo claro y el otro oscuro sus ojos son estrellas y el sueño de josé manos del vino cabeza de plata mira: ¿donde está la manzana alma?



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Meu pensamento cinzento


Há um norte e há um sul. 

Entre eles, os dois, estou eu 

Parado como uma estátua nua. 

E quanta beleza há no meu espírito, Senhor,

 Porque tu o criaste!


Odeio quando me rodeiam como um leão, porque afinal:

 Onde estará o meu sonho e o meu instinto se não no 

Coração de vidro que trago no peito judeu?


Vem sol, ilumina o morto com suas unhas de tigre.

Vem noite, e deixa o ar mais puro como mil anjos

No meio da escuridão sem fim.

Só vou cantar por alguns instantes. E nada mais...


Tenho nas mãos mil pinturas e uma rosa crucificada; 

No meio do tempo encontrei o outono. 

Só nós dois tomamos chá naquela tarde enevoada.

Nunca tive preocupação. Hoje estou cheio de duendes e gnomos.


Lá fora o calor encontra os seios e as matrizes,

Dormem nos guetos líricas meretrizes e olhos de mil lobisomens

Espreitam as estrelas que choram suas cores brancas.

O amor é uma espada que arde os corações dos líricos amantes.


Eu e o ônibus somos um. Eu e as pessoas somos um.

Eu e o banheiro cheio de merda e mijo somos um. 

Eu e o vento triste somos um. Eu e o ouro somos dois.

Eu e o barco dos marinheiros somos três.

Eu e a dança da morena no meio do escuro somos quatro.

Eu e a pintura angelical e abstrata somos cinco.

Eu e as coxas da amada somos seis.

Eu e as nádegas belas da linda violeta somos sete.

Eu e o sonhos somos oito.

E por isso carrego dez cruzes em forma de pássaro amarelo.


Vejo a rosa no jardim 

E com ela me lembro do gafanhoto e do leão.

Do outro lado do rio está a estátua grega machucada nos joelhos.

A dama de cabelos loiros é a mais bela das feiticeiras do Norte.

Me ajoelho e oro porque tenho lágrimas de cebola no espírito.


Agora me vou, não porque o tempo me pede,

Não porque a areia do amor me cega os olhos.

Não porque quero e não quero aquilo que as ruas oferecem.

Apenas me vou porque tenho que ir. Tenho que ir. 

E eu sei que tu e eu sabemos disso:

Há um norte e há um sul. 

Entre eles, os dois, estou eu 

Parado como uma estátua nua.

Poema de canções



Há na minha voz
Um outono cego.

Mamãe quero cantar
Que já estou morto desde manhã.

Uma figueira me diz
Que o vento está quente.

Mamãe me traz panos frios
Para me aquecer a alma de neve.

Mamãe quero cantar
Como o galo do avô.

Minha mamãe segura na mão 
Uma moeda e um espelho.

Mamãe sou eu quem está 
Morto dentro desse espelho?