Do alto Olimpo, em berço de brocado,
Julga o mundo com voz de orador polido,
Jamais sentiu o estômago roído,
Nem do prato vazio foi privado.
Do Bolsa, o auxílio — pão desesperado —
Critica em tom de zelo, ora esquecido
Que a fome, em seu tropel descomedido,
Não se cura com o brilho do Estado.
Aponta o dedo ao pobre, em seu dilema,
Como quem prescreve a cura da anemia
A quem não tem direito ao próprio tema.
É fácil, ó paladino, à luz do dia,
Condenar o sustento de um sistema,
Quando a mesa farta é sua geografia.
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