domingo, 24 de maio de 2026

Dois poemas de ferros

 O Vaso e a Chama

Triste matéria! Vaso em que a ruína opera,

Feito de cinza e lama, ao abandono e ao luto,

Que ao peso do elemento o tempo esboroa e pisa,

E que regressa ao pó de que nasceu cativo.


Chora a carne na terra a sua dor de fera,

Vítima do declínio e do pavor fortuito,

Enquanto o verme cego as vaidades divisa

E rói o orgulho vão do coração altivo.


Mas sobre a podridão desse contorno estreito,

Brilha a virtude pura, o Espírito divino,

Que não conhece o fim, nem cede ao preconceito.


Livre do cárcere vil, a alma rutilante

Rasga a mortalha escura e cumpre o seu destino:

— Ser luz no firmamento, eterna e triunfante!






As Estrelas de Mônica

Do claro espelho onde o desejo habita,

Rompendo a névoa do pudor mundano,

Surgiste, deusa, em majestade aflita,

No altar supremo do cenário humano.


Sob o clarão da tela que palpita,

Teu corpo de ouro, escultural, profano,

Prende os olhares em paixão bendita,

Rege o império do prazer tirano.


Brilham estrelas no teu peito acesas,

Não as do céu, que o firmamento encerra,

Mas as da carne, cheias de grandezas:


Glórias da musa que a plateia aclama,

Que, convertendo em arte o que era terra,

Deixou teu nome em labaredas de fama.

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