O Vaso e a Chama
Triste matéria! Vaso em que a ruína opera,
Feito de cinza e lama, ao abandono e ao luto,
Que ao peso do elemento o tempo esboroa e pisa,
E que regressa ao pó de que nasceu cativo.
Chora a carne na terra a sua dor de fera,
Vítima do declínio e do pavor fortuito,
Enquanto o verme cego as vaidades divisa
E rói o orgulho vão do coração altivo.
Mas sobre a podridão desse contorno estreito,
Brilha a virtude pura, o Espírito divino,
Que não conhece o fim, nem cede ao preconceito.
Livre do cárcere vil, a alma rutilante
Rasga a mortalha escura e cumpre o seu destino:
— Ser luz no firmamento, eterna e triunfante!
As Estrelas de Mônica
Do claro espelho onde o desejo habita,
Rompendo a névoa do pudor mundano,
Surgiste, deusa, em majestade aflita,
No altar supremo do cenário humano.
Sob o clarão da tela que palpita,
Teu corpo de ouro, escultural, profano,
Prende os olhares em paixão bendita,
Rege o império do prazer tirano.
Brilham estrelas no teu peito acesas,
Não as do céu, que o firmamento encerra,
Mas as da carne, cheias de grandezas:
Glórias da musa que a plateia aclama,
Que, convertendo em arte o que era terra,
Deixou teu nome em labaredas de fama.
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