O céu é uma página branca que se rasga devagar.
Lá em cima,
onde o vento não tem nome,
as aves são traços de giz
num quadro-negro que esqueceram de apagar.
Elas cruzam a moldura do agora.
Asas de calcário,
costurando o vazio,
ignorando o peso que nos prende ao chão.
E ao além, as nuvens.
Catedrais de fumaça e estática,
arquitetura do esquecimento.
Elas guardam o que a terra perdeu.
O branco das penas se dissolve no branco do vapor.
Não há fronteira.
Apenas o horizonte,
essa linha que a gente inventa
para não enlouquecer de espaço.
O céu é um teto de vidro.
E nós olhamos para cima,
enquanto o mundo, silencioso,
desaba devagar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário