domingo, 24 de maio de 2026

Ecos no Teto do Mundo


O céu é uma página branca que se rasga devagar.

Lá em cima,

onde o vento não tem nome,

as aves são traços de giz

num quadro-negro que esqueceram de apagar.


Elas cruzam a moldura do agora.

Asas de calcário,

costurando o vazio,

ignorando o peso que nos prende ao chão.


E ao além, as nuvens.

Catedrais de fumaça e estática,

arquitetura do esquecimento.

Elas guardam o que a terra perdeu.


O branco das penas se dissolve no branco do vapor.

Não há fronteira.

Apenas o horizonte,

essa linha que a gente inventa

para não enlouquecer de espaço.


O céu é um teto de vidro.

E nós olhamos para cima,

enquanto o mundo, silencioso,

desaba devagar.

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