domingo, 24 de maio de 2026

Soneto de Ébano e Escultura

Cheia de graça e de esplendor supremo,

Ergues no peito a perfeição da linha,

Onde o cinzel do Criador, supremo,

Traçou a forma que o universo vinha


Buscar no sonho. Em teu contorno gema

A noite imensa, retumbante e minha,

E o busto firme, que o desejo queima,

Como um par de astros na nudez caminha.


São dois altares de um altar sagrado,

Ricos de viço, altivos, soberanos,

Feitos de bronze e de luar moldado;


Negras colunas contra os tempos vãos,

Que desafiam os declínios humanos,

E cabem, justos, na concha das mãos.

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