domingo, 24 de maio de 2026

Diante do Rio e do Céu


As nuvens do além flutuam sem pressa,

Nascem do nada e ao nada retornam,

Lentas montanhas de fumaça branca

Que o vento de outono esculpe e desfaz.


Abaixo delas, as garças brancas mergulham no vazio,

Um único traço de pincel contra o azul sem fim.

De onde vêm? Para onde viajam?

O céu não guarda as pegadas de suas asas.


O homem do exílio senta-se à beira do rio,

Sua mente é um espelho que reflete o infinito.

Nuvens e aves compartilham a mesma pureza,

Livres do peso que os homens carregam no peito.


O mundo corre como as águas do Yangtzé,

Mas o coração encontra repouso no espaço.

Olho para o além e já não sei quem sou:

Se a ave que parte, ou a nuvem que fica.

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