Fio de foice, tardio.
Tu me costuras os olhos com o linho da noite,
luar.
Cinza-de-estrelas, calcinada.
O raio caminha por sobre a palavra que calamos.
Um olho de pedra, redondo,
bebe o que sobrou do sangue dos relógios.
Nós mudos.
A luz escorre como areia-viva
para dentro da boca do poço.
Onde estavas? No não-lugar do brilho,
onde o luar não alumia —
ele escava.
Escava a cinza, escava o sal,
põe a nu a medula do tempo.
Um cristal de noite,
firme entre os dentes do silêncio.
Nós vemos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário