domingo, 24 de maio de 2026

O Luar-Cinza

 Fio de foice, tardio.

Tu me costuras os olhos com o linho da noite,

luar.


Cinza-de-estrelas, calcinada.

O raio caminha por sobre a palavra que calamos.

Um olho de pedra, redondo,

bebe o que sobrou do sangue dos relógios.


Nós mudos.

A luz escorre como areia-viva

para dentro da boca do poço.

Onde estavas? No não-lugar do brilho,

onde o luar não alumia —

ele escava.


Escava a cinza, escava o sal,

põe a nu a medula do tempo.


Um cristal de noite,

firme entre os dentes do silêncio.

Nós vemos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário