O rosto é um mapa de argila e planos,
onde o ocre se deita sobre o sienna,
e a curva da boca, em carmim profano,
é o único círculo em uma vida plana.
Teus olhos são losangos de sombra e fumo,
dois prismas que bebem a luz do atelier,
não buscam o centro, perderam o prumo,
na fragmentação do que é o prazer.
As argolas de prata, luas partidas,
balançam no ritmo de um ângulo reto,
entre linhas de força, cores fundidas,
no abraço de um espaço denso e secreto.
A pele é colagem de areia e de trigo,
um relevo de planos que o tato percorre,
onde o côncavo é ninho e o convexo é perigo,
e a perspectiva, rendida, ali morre.
És mulher de óleo, de terra e de zinco,
um volume que explode em calma tensão,
teu beijo é o ponto, o traço, o recinto,
onde a carne se torna a pura invenção.
titulo: Woman kiss
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