para fernando pessoa, na pessoa mesmo de álvaro de campos
Considerando que tudo o que
acontece no mundo não é por acaso
eu grito isso
como quem prega um cartaz
na cara de um arranha-céu.
Nada cai.
Nada tropeça.
Nada se perde no escuro por distração.
Até o parafuso que despenca
do ventre metálico de uma fábrica
despenca com destino
como um pequeno cometa proletário
cumprindo sua órbita de ferrugem.
Eu digo:
o universo não boceja.
Ele range.
Ele calcula.
Ele martela probabilidades
sobre a bigorna do tempo.
E nós?
Nós somos faíscas conscientes
saltando da solda cósmica.
Cada amor que explode no peito
é um motor ligando.
Cada morte
é apenas uma troca de turno
na usina da matéria.
Olhem!
O futuro não chega caminhando
ele vem de sirene aberta,
rasgando o asfalto do presente
como um trem elétrico sem freios.
E se tudo não é acaso,
então também não é acidente
este grito meu:
HOMEM!
você não é poeira perdida —
é engrenagem.
Você não é silêncio —
é alavanca.
Você não está solto no vazio —
está PARAFUSADO
no grande mecanismo ardente
do impossível
que insiste
em funcionar.
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