sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Exílio de Sefarad


Não sou do rito, do caftã ou do lamento,

Nem falo a língua que o gueto em dor teceu;

No meu sangue, um castelhano antigo e lento

Despreza o muro que o tempo ergueu ao judeu.


Vejam: não caibo na massa ou no ferrolho,

Minha pátria é o livro, o mármore e a ideia;

Há um brilho de adaga sefardita em meu olho

Que não se curva à prece que a turba encadeia.


Sou de Canetti o herdeiro, o rei sem trono,

Vago entre tudescos e o clamor do deserto,

Sempre estrangeiro, em vigília e sem dono.


Se o mundo é um círculo de ódio e de mudo,

Eu guardo em mim, num exílio bem perto,

A língua de um império que sobrevive a tudo.

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