segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Soneto do Lobo Guardião

Descanse, viajante — a noite é branda,

E as estrelas vigiam seu dormir;

O vento em ramos suaves se abranda,

Como quem teme o sonho ferir.

Seu lobo vela à margem do caminho,

Com olhos feitos brasas de lealdade;

Não rosna à sombra, nem teme o espinho,

Pois guarda mais que corpo: a verdade.

Há reinos que só o cansaço alcança,

Portais que se abrem quando a dor se rende;

E a fé, pequena chama da esperança,

Arde mais forte quando o mundo pende.

Assim repouse — sem temor, sem dor:

Quem dorme em confiança acorda em luz maior.

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