JESUS O JUDEU!
Ele nasceu no círculo antigo da Lei,
onde o tempo repousa no sétimo dia
e o nome de Deus pesa mais que o ouro.
Foi circuncidado na aliança do corte,
marcado no corpo
como todo filho de Israel
desde a aurora da promessa.
Guardou o sábado
não como fardo,
mas como respiração do mundo;
ouviu a Torá
no murmúrio das sinagogas,
onde as palavras não envelhecem.
Sua mãe conheceu
as águas da purificação,
o sangue contado,
o rito que devolve a vida ao ritmo.
Nada lhe era estranho
no código secreto da carne e do espírito.
Comeu o pão separado,
recusou o que era impuro,
pagou o dízimo
ao mesmo Deus que cobrava justiça
e exigia memória.
E se discutiu a Lei,
foi como fazem os filhos da Lei:
não para negá-la,
mas para fazê-la arder
até o coração.
Não veio romper o círculo,
mas caminhar em seu centro.
Não nasceu cristão,
nasceu judeu —
e nisso estava o escândalo
e a fidelidade.
Quem o arranca da Torá
arranca-lhe a carne.
Quem o reduz à ética
apaga-lhe o sangue e o sábado.
Pois ele era da Lei
como a raiz é da árvore,
e da tradição
como o fogo é da chama.
E ainda hoje,
nos giros da história,
sua sombra caminha
entre os rolos antigos,
lembrando ao mundo
que o sagrado
não surge fora do tempo,
mas dentro da fidelidade.
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