quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vagueia

 Ele vagueia         pela floresta

sob o brilho de algo

é o velho fauno

dançando com suas irmãs

                                    fadas.

Um mundo superior

 Tantos rostos!


Vamos esquecê-los todos

no prado.


O vento sopra apenas uma vez.


Eles

Natureza obscura

 As estrelas brilham 

ao pôr do sol no topo da colina 

ampla e majestosa, 

na coluna         flamejante de 

fumaça da montanha,

 a montanha escura e alta.

O grande jogo: palácios

 Na         areia do infinito

um suspiro

sobre             igual uma

estrela do mar             lendo jornal.

O corvo e a grama

 Quando o corvo sente 

o vento em suas asas, 

o vento está frio, 

a terra espalha areia 

ao entardecer, 

e nu o corvo

 agradece a Deus 

com seu bico melodioso

 sobre o campo verde, 

que reluz com as folhas 

de grama.

A História do Universo


Vamos, comporemos tu eu

uma prosa: a história inteira do universo,

e por isso, vamos receber das

estrelas alguns mapas nunca vistos.

Cafezais de gente negras, nuas,

dureza da escravidão antiga, 

desenterrada nos ossos escuros

do ser marinho apodrecido no fundo do mar.

A alma

 Caiu... Mas aonde...

Caiu a estrela, a estrela branca

que assombra o mar inteiro.

Veja: é o cantar do galo

verdadeiro que se debruça

por entre os braços de gentil criança

morta por uma bomba caída em Dresdein.

Ouçam só, o sino das igrejas bombardeadas,

são as vozes dos fantasmas

que passam de um lado para o outro

na rua mais movimentada de São Paulo.

Quanto tédio, dizem os especialistas

em murais, e lá vão os artistas sociais

mendigar o dinheiro dos novos-ricos.

A estrela tombada no chão, dizem,

era a minha alma constelada de farrapos.

E eis o próprio poeta miserável

incendiado o próprio corpo por um pedaço de

pão.