Ele vagueia pela floresta
sob o brilho de algo
é o velho fauno
dançando com suas irmãs
fadas.
As estrelas brilham
ao pôr do sol no topo da colina
ampla e majestosa,
na coluna flamejante de
fumaça da montanha,
a montanha escura e alta.
Quando o corvo sente
o vento em suas asas,
o vento está frio,
a terra espalha areia
ao entardecer,
e nu o corvo
agradece a Deus
com seu bico melodioso
sobre o campo verde,
que reluz com as folhas
de grama.
Vamos, comporemos tu eu
uma prosa: a história inteira do universo,
e por isso, vamos receber das
estrelas alguns mapas nunca vistos.
Cafezais de gente negras, nuas,
dureza da escravidão antiga,
desenterrada nos ossos escuros
do ser marinho apodrecido no fundo do mar.
Caiu... Mas aonde...
Caiu a estrela, a estrela branca
que assombra o mar inteiro.
Veja: é o cantar do galo
verdadeiro que se debruça
por entre os braços de gentil criança
morta por uma bomba caída em Dresdein.
Ouçam só, o sino das igrejas bombardeadas,
são as vozes dos fantasmas
que passam de um lado para o outro
na rua mais movimentada de São Paulo.
Quanto tédio, dizem os especialistas
em murais, e lá vão os artistas sociais
mendigar o dinheiro dos novos-ricos.
A estrela tombada no chão, dizem,
era a minha alma constelada de farrapos.
E eis o próprio poeta miserável
incendiado o próprio corpo por um pedaço de
pão.