Lá no fundo da terra, em aconchego são,
Vivia um ratinho de bom coração.
Não era um buraco de lama e de dor,
Tampouco areia seca, sem cor ou calor.
Era a toca de um rato, e com doce conforto
Ele via o mundo sem nunca estar morto.
À noite, erguia os olhos do fundo do lar,
Para o vasto mistério do templo estelar.
E quis o destino, em sua alta jornada,
Construir uma nave de prata encantada,
Rumar para o céu, para a Lua distante,
Onde o tempo repousa em brilho constante.
Lá mora o guerreiro de antiga espada,
Que a lança guardou nesta paz sagrada.
São Jorge, o herói que os dragões venceu,
Hoje habita a fronteira do vasto céu,
Vendido em quitanda o seu queijo lunar,
Feito do leite de estrela e do mar.
Da sagrada Galathea, a vaca mansa,
Que traz para a alma a doce esperança.
Oh, Lemon, pequeno em tua grandiosa jornada,
Tua lenda nas estrelas já está gravada!
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