terça-feira, 14 de julho de 2026

Todas as tragédias da humanidade são escritas pela própria humanidade.

     Ao observar a vida, a primeira lição que aprendemos é que a monstruosidade não reside no sobrenatural, nem no acaso, mas na própria argila humana. Somos nós, com nossas mãos e mentes, que construímos os instrumentos de nossa própria aniquilação.

     A história, em sua maioria, não é um drama escrito por deuses distantes, mas um inventário meticuloso que nós mesmos redigimos, dia após dia, escolha após escolha. A fome, o frio, a humilhação, o gás; nada disso é obra de um destino cego. São palavras escritas com a tinta da indiferença, da ambição e da adesão silenciosa ao mecanismo do mal.

  Não há inocentes na tragédia humana, exceto aqueles que não a testemunharam por terem sido suas primeiras vítimas. Aquele que constrói o forno, o que o alimenta, o que olha para o lado e o que cala: todos, em graus diversos, são coautores do mesmo capítulo sombrio. A humanidade é, a um só tempo, o carrasco, a vítima e o cronista de sua própria queda. E é talvez essa a nossa maldição mais terrível: saber que a pena que escreve a tragédia é segurada pela mesma mão que deveria construir a salvação.

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