O ouro não é o hino que o teu coração entoa,
É apenas o metal que a tua mão desconhece;
Pois em cada labirinto onde a alma se povoa,
A riqueza é o resto que o espírito esquece.
É fácil, dizes tu, colher do mundo o brilho,
Mas tu não hás de parar, prisioneiro da aurora;
Pois buscaste em livros e em ritos o trilho,
E o lucro é a sombra que o tempo devora.
Não pares agora, com as mãos no entardecer,
Pois o que te falta é o enigma do arcano;
Ganharás o mundo, sem nunca o possuir ou deter,
Nesta dança contínua, num eterno engano.
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