Nas profundezas das Montanhas Enevoadas, onde as pedras guardam a memória das eras passadas, vivia Hassem, um ferreiro de linhagem antiga. Suas mãos, calejadas pelo trabalho no metal, possuíam a precisão do cinzel e a força da bigorna, mas seu coração, surpreendentemente, não batia apenas pelo tilintar do ouro ou pelo brilho da prata.
Hassem nutria uma amizade, tida como improvável entre o seu povo, com Haya, o homem-urso. Haya, cujo porte impunha respeito e temor àqueles que não conheciam a bondade oculta sob sua pelagem densa, era um guardião das matas profundas. Quando as luas se alinhavam, Hassem costumava deixar as forjas fumegantes para caminhar sob a copa das árvores ancestrais, onde o silêncio era interrompido apenas pelo rosnado profundo, porém fraternal, de Haya. Eram companheiros de longas vigílias; o anão trazia consigo as lendas gravadas em runas e o homem-urso, as verdades sussurradas pelo vento entre as folhas, selando um pacto de lealdade que nem mesmo o tempo ou a sombra poderiam desbotar.
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