Tudo na vida, esse lento, laborioso acaso,
é o vaivém do prazer e a sombra do sofrimento,
como se o mundo fosse apenas um vasto aposento
onde o tempo, entre notas de ausência, cumpre o seu prazo.
Os espelhos estão ali, guardiões da vigília,
multiplicando a tarde em esquinas de Campinas,
onde a memória, em suas tramas cristalinas,
reflete a face que o dia esqueceu na sua mobília.
Eis a cidade, essa geometria de muros e silêncio,
onde a esquina é um limite entre a alma e o destino;
cada reflexo é um ontem, um rastro, um desatino,
enquanto a eternidade aguarda, no vão do breve anuênio.
O que é o prazer senão o reflexo que a luz ensina?
E a dor, senão o espelho quebrado em nossa rotina?
Sob o sol que declina, a verdade, estranha e fina,
habita o coração das esquinas de Campinas.
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