terça-feira, 14 de julho de 2026

O Crepúsculo nas Esquinas

Tudo na vida, esse lento, laborioso acaso,

é o vaivém do prazer e a sombra do sofrimento,

como se o mundo fosse apenas um vasto aposento

onde o tempo, entre notas de ausência, cumpre o seu prazo.

Os espelhos estão ali, guardiões da vigília,

multiplicando a tarde em esquinas de Campinas,

onde a memória, em suas tramas cristalinas,

reflete a face que o dia esqueceu na sua mobília.

Eis a cidade, essa geometria de muros e silêncio,

onde a esquina é um limite entre a alma e o destino;

cada reflexo é um ontem, um rastro, um desatino,

enquanto a eternidade aguarda, no vão do breve anuênio.

O que é o prazer senão o reflexo que a luz ensina?

E a dor, senão o espelho quebrado em nossa rotina?

Sob o sol que declina, a verdade, estranha e fina,

habita o coração das esquinas de Campinas.

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