sábado, 11 de julho de 2026

ONDE SE ENCONTRAM OS RUSSOS, ADEUS AMOR, SOU UM GLORY HOLE


O jornal sangra a seda do czar cortada em fatias de

sílaba de botas

o telefone é uma couve-flor apodrecendo no gelo da Sibéria

tic-tac o poema é uma cavidade na parede de concreto

o orifício da história

onde o ditador sussurra números de sapatos

e o amor é uma preposição gasta

pela umidade da censura.


Recorte o relâmpago:

Pasternak + cinza + o som de um trinco + adeus.


O buraco na parede é a única métrica possível

neste século de ferro e vírgulas inúteis

uma fresta

um olho

um nada

onde se esconde a luz que não pode dizer o nome

do pai

do poeta

do erro.


A lógica caiu da mesa como uma criança de vidro

o jornal está picado

o silêncio é a nossa melhor rima

o buraco é a boca de um deus que se esqueceu de falar.

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