terça-feira, 14 de julho de 2026

A Geometria da Queda


Lá fora, a tarde se despedia em chuva,

um ritmo de vidro batendo contra o muro da casa,

e nos meus olhos, por uma estranha asa

da memória, a mesma água se avoluma.


Não é apenas a umidade que o céu derrama,

mas uma neve mental, um silêncio suspenso,

onde o pensamento se faz pluma, vago e intenso,

caindo sobre o pátio onde o tempo reclama.


Sou esse observador de um inverno interior,

onde a chuva de fora encontra a minha caligrafia;

chove o dia, chove a alma, chove a agonia

de quem busca, no gelo da pluma, o antigo calor.


O vidro nos separa, mas a queda é a mesma:

a pluma que desce, a chuva que desatina,

nessa cidade, em Campinas, que no espelho se fascina,

enquanto o mundo, alheio, se desfaz no teorema.

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