domingo, 4 de janeiro de 2026

Soneto do Silêncio


Sobre essas coisas, às vezes, é melhor calar,
pois o excesso de luz cega o que é profundo;
o verbo em demasia aprende a bajular
quem serve à sombra muda e ao riso moribundo.

Já agrada demais quem dobra a própria fé
à menina gentil — promessa e disfarce —
e ao velho senil que, em hibernais marés,
confunde o sonho antigo com o que se parte.

Noite após noite, acendem-se tais fogos
em altares gastos de fervor cansado;
ali o tempo dorme entre seus jogos.

Mas quem escuta o escuro, recolhido,
sabe: há verdades que pedem o silêncio

para não morrerem ditas sem sentido. 

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