Há no teu silêncio
uma febre lenta
que me chama pelo nome
que só a noite sabe.
Teu corpo —
ilha morena —
reza sem palavras,
acende em mim
um pecado que parece oração.
Não te toco.
E ainda assim
minhas mãos aprendem
o desenho secreto
do teu estar no mundo.
És mar contido,
rum cubano guardado no peito,
um tambor que pulsa
sem jamais pedir permissão
à aurora.
Quando passas,
as sombras se ajoelham.
E eu, faminto de luz,
bebo-te com os olhos
como quem comunga.
Meu desejo
não grita:
incensa.
Sobe lento
até perder a forma
e virar mistério.
Amar-te é isso:
arder sem fogo,
pecar sem culpa,
morrer um pouco
no teu nome
—
e ressuscitar.
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