Não fostes feitos para o pó da ganância,
nem para pastar no medo como rebanho cego.
Recebestes a centelha, o verbo,
e ainda assim trocastes a luz
pelo tilintar curto das moedas.
Ó homens que se dizem fiéis,
por que balis vossos joelhos diante do ouro
e não diante do bem?
Por que vossas bocas rezam o céu
enquanto vossas mãos cavam a terra do lucro?
Sede homens — clamam as alturas —
não ovelhas tresloucadas
que seguem qualquer grito,
qualquer flauta de cobiça
travestida de salvação.
Pois aquele que vive entre vós,
guardião antigo da Lei escrita no fogo,
vê vossa inconstância
e aprende, não a temer-vos,
mas a rir de vossa fé desmentida.
Que escárnio mais terrível
do que ser julgado por quem não crê em vós,
mas conhece o peso da regra
e a disciplina do pacto?
Anjos não choram por vossos erros,
eles os enumeram.
E em suas tábuas de ar e chama
está escrito:
não foi o outro que vos traiu,
fostes vós que traístes o nome que proclamais.
Erguei-vos, portanto,
não contra o riso alheio,
mas contra a própria hipocrisia.
Pois o céu não se fecha aos que erram,
mas se afasta em silêncio
dos que erram
e ainda se dizem justos.
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