segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Livro de Terra e Vigília




Poemas de amor, paixão e dor — em travessia


I. Prólogo — A Voz que Desperta


Nasço do pó que ama. 

Não grito: germino. 

O coração aprende a

 falar quando aceita o silêncio.


II. O Jardim Refeito


Replantei o jardim com as mãos feridas. A terra reconheceu meu nome pela sede.


Nem toda flor pede retorno. Algumas florescem para ensinar a perda.



III. Cidade com Lua


A lua atravessa a cidade como uma carta sem endereço. Prédios mastigam seu leite frio.


Procuro teu rosto nos vidros, nos trilhos, no cansaço das ruas.


A cidade ama de passagem. Eu, não.




IV. Norte


Vou para o norte com o sol nas costas como um perdão inacabado.


Levo o que não coube em nós: ventos, mapas, sementes.


O amor aprende a viajar quando não pode ficar.




V. Corpo em Vigília


O corpo guarda o que a boca cala.


Há um calor que não é pedido, é memória.


Amar é vigiar a chama sem tocá-la.




VI. O Relógio Partido


O tempo não anda: confessa.


Cada segundo diz — foi verdade.


O amor não dura. A verdade, sim.



VII. Trem Noturno


O trem leva nomes, traz ecos.


Fico na plataforma aprendendo a ficar.


Partir é um verbo fácil. Difícil é permanecer inteiro.



VIII. Carta à Dama


Magnífica dama, tome este livro.


Não é oferenda: é resto.


Aqui repousa meu amor sem moldura, meu erro fiel.



IX. Uivo


A noite me ensinou outra língua.


Não chamo: resisto.


O amor, quando ferido, ainda canta.



X. Coração Aprendido


Meu coração não se quebrou.


Alargou.


Sofrer foi o método. Amar, o resultado.



XI. Perdão


Perdoar não apaga.


Clareia.


O amor descansa quando deixa de cobrar.



XII. Jardim de Primavera


A primavera não pergunta quem partiu.


Ela abre.


Aprendi: o amor pode acabar e ainda assim ensinar a nascer.



Epílogo — Vigília


Fico de pé na borda do que fui.

Não espero. Cultivo.

O amor continua.

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