Amo o pão da luz sobre a madeira velha, o livro aberto como um peito que espera, e o fogo, esse cão de chamas amarelas, que lambe o frio das pedras na lareira.
Do lado de fora, o mundo se desfolha em ocre, as árvores soltam seus segredos de ouro ao vento, mas aqui, neste retângulo de paz e sombra, o tempo parou para ouvir o fervura do chá.
Ó abóbora, redonda e terrestre, sol de horta esquecido sobre a mesa, tua casca guarda o silêncio das raízes e a doçura pesada da natureza.
A vela é um dedo de luz que reza, neste outono que não é morte, mas repouso, onde a alma se recolhe, como um bicho manso, no calor de um verso e no fumo de um gole.
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