terça-feira, 9 de setembro de 2025

O Crânio de Machado

Machado! — cérebro pálido, caveira alerta,

Que dos abismos psíquicos da dor

Erguiste a frase lúcida e desperta

Como um verme que ri dentro da flor!

Na arcada dentária da ironia fria,

No maxilar da sátira macabra,

Tu extraíste do pus da hipocrisia

A pérola moral que nunca se desabra!


Teu verbo é ácido! — é saliva e tártaro!

É microscópio a examinar as almas,

Fazendo do cadáver literário

Um laboratório de sutis psalmas!

Na tua pena, a carne apodrecida

Do humano coração vil e mesquinho

Converteu-se em metáfora erguida,

Transfigurada em corvo no caminho!


És o poeta das vísceras da mente,

O biólogo da alma em seu desdém,

E no humor amargo, incandescente,

Ergueste o túmulo em que rimos também!

Machado! — sobre a tumba escancarada,

Teu nome jaz em pedra e eternidade,

Mas tua pena, pútrida e sagrada,

Ainda escreve em ossos a Verdade!



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