Sob o silêncio branco da floresta,
onde cada galho guarda um véu de gelo,
um fauno caminha.
Seus cascos batem no chão como lembranças antigas,
e nas mãos ele leva, firme,
um guarda-chuva negro contra a queda da neve.
O mundo inteiro é um mistério suspenso,
um reino entre o sono e a vigília.
A neve não é fria:
é um véu do tempo,
é a promessa de algo maior,
um portal que se abre no meio da solidão.
O fauno anda devagar,
como quem conhece segredos que não se dizem,
como quem sabe que até o menor dos gestos —
abrir um guarda-chuva no inverno eterno —
pode ser uma resistência contra a escuridão.
E enquanto caminha,
o céu se curva sobre ele,
as árvores o contemplam,
e toda a floresta, em silêncio,
parece esperar uma história que ainda não foi contada.
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