terça-feira, 9 de setembro de 2025

Elogio a Munch

Munch! — nas tuas telas febricitantes,

O horror vital em cores se condensa!

O grito universal dos agonizantes

Explode em tintas, putrefato, imenso!


No vermelho sanguíneo que alucina,

Na carne diluída em tons mortais,

Vejo a psique humana que definha

Entre micróbios viscerais!


Teu pincel é bisturi que abre ferida,

É escalpelo da dor no corpo impuro,

Dissecando a alma em carne apodrecida,

Que apodrece sob o sol maduro!


Na ponte de “O Grito”, o horror ressoa,

Como um cadáver a ranger nos ossos!

É a Eternidade pútrida que ecoa

Na garganta dos mortos e dos nossos!


E ainda assim, ó gênio apocalíptico,

Na decomposição das tuas cores,

Há uma beleza lúgubre, magnífica,

Que floresce da podridão das dores!


Edvard Munch! — pintor da carne exangue,

Do esperma, da loucura e da caveira!

No teu quadro, a Vida ri e sangra,

E o Horror se torna Arte verdadeira!



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