Munch! — nas tuas telas febricitantes,
O horror vital em cores se condensa!
O grito universal dos agonizantes
Explode em tintas, putrefato, imenso!
No vermelho sanguíneo que alucina,
Na carne diluída em tons mortais,
Vejo a psique humana que definha
Entre micróbios viscerais!
Teu pincel é bisturi que abre ferida,
É escalpelo da dor no corpo impuro,
Dissecando a alma em carne apodrecida,
Que apodrece sob o sol maduro!
Na ponte de “O Grito”, o horror ressoa,
Como um cadáver a ranger nos ossos!
É a Eternidade pútrida que ecoa
Na garganta dos mortos e dos nossos!
E ainda assim, ó gênio apocalíptico,
Na decomposição das tuas cores,
Há uma beleza lúgubre, magnífica,
Que floresce da podridão das dores!
Edvard Munch! — pintor da carne exangue,
Do esperma, da loucura e da caveira!
No teu quadro, a Vida ri e sangra,
E o Horror se torna Arte verdadeira!
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