Casamento é uma instituição tão sólida que até hoje ninguém conseguiu descobrir quem foi o primeiro infeliz que teve a coragem de inventá-la. Noivo, antes de assinar o papel, é um homem livre: anda com a camisa para fora das calças, bebe cerveja direto do gargalo e acha que teto é apenas aquilo que impede a chuva de cair na cabeça. Depois do "sim", o homem descobre que o matrimônio é uma sociedade em que um dos sócios entra com o capital, o outro com a paciência, e ambos com a certeza de que a contabilidade vai dar prejuízo. A noiva passa os primeiros cinco anos tentando mudar os defeitos do marido; nos trinta anos seguintes, gasta o resto das energias explicando às amigas por que ele continua exatamente igual. O segredo de um casamento duradouro não é o amor eterno, que acaba na primeira fatura do cartão de crédito, mas sim a arte refinada da surdez seletiva. Quando a mulher diz que o jantar está na mesa, o marido entende que é hora de desligar a televisão. Quando o marido diz que vai apenas dar uma voltinha rápida na esquina, a mulher já sabe que ele só volta no próximo milênio. E o mais curioso é que, no fim das contas, continuam todos firmes e fortes, celebrando Bodas de Ouro com a mesma cara de quem está cumprindo pena em regime fechado, mas com direito a bolo no domingo.
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