A noite em Campinas fedia a asfalto quente e óleo diesel na praça da
Estação. Encontrei-a encostada num pilar de concreto desbotado, a perna longa e
escura riscada pela meia-calça rasgada. Não trocamos três palavras. Subimos
para o quarto mofado de um hotel de hora na Francisco Glicério, cheirando a
desinfetante barato e lençol mal lavado.
Despelei-a sem pressa. Ela tinha ombros largos, uma cicatriz antiga na
costela e um perfume doce que inundava o ar. Deitei-me de costas na beirada da
cama, o colchão afundando nas molas enferrujadas. Entrei de cabeça na carne
dela, os lábios secos tateando a pele firme, a língua firme no ponto exato da
urgência. O quarto fedia a suor e cigarro. Ela segurou minha nuca com força, os
dedos compridos cravados no meu cabelo, o corpo arqueando num sobressalto seco.
Gozou na minha boca com um empurrão violento de quadris, um gosto denso,
salgado e quente que me inundou a garganta.
Engoli tudo sem tossir. Limpei o queixo com as costas da mão, levantei
os olhos e a vi ali de pé, respirando fundo, o suor brilhando na testa. Abri um
sorriso torto, os dentes à mostra. Ela me olhou de cima, o canto da boca puxado
num riste irônico, e sorriu de volta.
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