domingo, 6 de setembro de 2026

A neblina - conto

 

A neblina cortava a calçada. Ela estava lá na esquina, quase nua sob o corpete rasgado, a pele retinta brilhando no neônio da farmácia.

O homem empacou o passo. A boca seca, o estômago revirado de desejo e nojo. Chegou junto, a respiração fétida colando no pescoço dela.

— Quanto para chupar essa carne preta?

Ela nem virou o rosto. Cuspiu o catarro no asfalto, a voz grossa cortando o silêncio da madrugada:

— Procura tua mãe, otário. Aqui o buraco é mais embaixo.

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