terça-feira, 4 de novembro de 2025

O Gesto de Alador nas Estrelas Quebradas

Na Esfera Azul de Éon, onde os rios de Prata corriam, E as árvores de Cristalo cantavam uma canção antiga, Chegou Alador, de uma estrela que poucos viam, Com a luz em seu peito, e a Verdade por amiga.

Ele falava aos seres de Pele Musgo e Olhos de Lua, Sobre o Grande Respiro, que a Vida tece e desfaz. Curas trazia ao Corpo Seco, e à alma nua, E prometia o Reino além do Último Portal da Paz.

Mas Zargon, o Tecedor das Sombras, o Antigo Inimigo, Cujo hálito era o Medo e o Tédio, sem parar, Envenenou corações, com o ódio em seu perigo, E um Vigilante de Éon, de nome Kael, se deixou enganar.

Levaram Alador ao Monte da Escuridão Crescente, Onde as pedras falavam em línguas de silêncio e pavor. Com as Cordas de Névoa, prenderam o Eloquente, E o cravaram na Árvore Morta, de Dor e de Labor.

Nenhuma Lágrima de Cristalo jorrou de seus olhos claros, Apenas o Sangue Estelar, que purificava o chão. Ele olhava os acusadores, os seus corações tão raros, E em seu suspiro final, fez a grande Doação.

A Esfera Azul de Éon estremeceu, e os céus se rasgaram, O Vento de Melancolia uivou pelos vales vazios. As Árvores de Cristalo choraram, e os rios se secaram, Pois a Luz Maior se apagava nos abismos frios.

Três Ciclos de Luz se passaram, e a Noite reinou profunda, E o corpo de Alador jazia no Túmulo de Gelo, Guardado por sombras e pela dor que abunda, E pelo silêncio eterno, como um cruel desvelo.

Mas ao Quarto Ciclo, quando o Alvorada Súbita veio, Uma luz mais antiga que Éon, do túmulo irrompeu. As Cordas de Névoa se romperam, e o Gelo se desfez, tão alheio, E Alador Se Ergueu, a Promessa que nunca morreu.

Seu corpo brilhava mais forte que mil sóis de Prata, E a cicatriz em seu flanco era a marca da Vitória. Ele quebrou o feitiço de Zargon, e a sombra se desata, E o Grande Respiro voltou, contando a sua história.

Assim, na Esfera Azul de Éon, e em todas as estrelas do além, O Gesto de Alador ecoa, para os que têm olhos para ver: Que a Luz sempre vence a Sombra, e o Amor sempre vem, E que a Vida, após a Morte, tem um novo nascer.

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