Na Terra Sem Nome, onde o vento sussurra segredos, E as árvores mais antigas guardam contos dos céus, Reinou o Rei Geórg, de coração puro e de firmes credos, Amado por seu povo, e por seus Deuses, bendito.
Mas pelas sombras densas, da Floresta da Tundra, Onde o gelo antigo dormia e o musgo se aninhava, Veio a Feiticeira Vermelha, de alma tão infunda, Que a luz de sua ira os raios do sol cegava.
Seus olhos, carvão em brasa, sua voz, um frio vento, Prometeu o inferno, a miséria e a longa escuridão. Não era ouro o que buscava, nem qualquer rendimento, Mas a alegria do rei, e a própria destruição.
Combateram no Vale das Lágrimas Esquecidas, Onde a neve caía em flocos, como um mortal véu. Geórg, com sua espada de honras bem tecidas, Tentou varrer a sombra daquele seu flagelo cruel.
Mas a Bruxa, com um gesto, de poderes imundos, Lançou um feitiço gélido, de terror e de torpor. Onde antes pulsava vida, em instantes tão profundos, O corpo do rei Geórg, virou pedra, sem um calor.
Caiu no chão gelado, um bloco de granito escuro, Sua face, outrora nobre, agora inerte e fria. O riso da Feiticeira ecoou no ar, puro e impuro, E a Terra Sem Nome chorou sua mais triste agonia.
Dizem que na pedra, no inverno mais sombrio, Quando a aurora rompe o véu da noite mais fatal, Um brilho dourado irradia, fraco, mas com brio, Ainda a promessa de que o bem um dia retornará.
Pois na morte de um justo, mesmo que em pedra esculpido, Há uma chama que não morre, um espírito que ascende. E o Rei Geórg, ainda que silente, ainda que partido, Espera o dia em que a luz o reino inteiro acende.
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