sábado, 7 de julho de 2018

Sombria


  Ente o rio e os seus olhos
o mar abre uma boca de colher
e suspiros de mariposas
valsam pelos seus seios de
arame de mulher.
  Suas mãos são como sinucas
seus cabelos de cachos de uvas,
seus dentes de marfim
brilham como estrelas
longínquas e profundas.
  Em outras vidas muçulmanas
te chamei sirena e me chamastes
de Grande Vizir de Al-Andaluz.
  Sombria, enigmática, fria,
como o vento que passa
pelas espigas amarelas.
  Assim eras como a
noite morta e sufocada
por gemidos sem fim
de outonos tristes
e primaveras infelizes.

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