Vinho puro, vinho
perfeito, da noite
densa e seca que
me fere o ar de
beijos que não tive.
Ah, imaginação perversa!
porque segues meu passo
por entre esses muros rídiculos
chamados homens que
me rodeiam?
Sobre a escuridão desse
corpo nada resta pára dizer
desse belo vinho,
esse elemento visual,
essa profunda dor,
esse misticismo que
a identidade do nosso
amor impacta quando
sonhamos em estar juntos
(pelo menos, antes de te
perder te celebrei
em alguns instantes).
Deixa de soluçar
esses pecados, me dirão outros,
mas eu peço para a minha alma:
traz a escuridão das trevas do
teu corpo para os meus
suspiros de melancolia.
Ao mistério da vida,
esse amor obscuro,
desconhecido e profundo,
envolto na densidade
dos mistérios angelicais
do divino, vêm, descansa
teus seios de químera sombria
na minha boca, a smbra dos
teus cabeços trágicos sobre
o meu pesado farto de existente
humano nessa terra fria,
onde a noite e o dia são um
auto-retrato da ausência
da luz que me guia para
teu corpo escuro.
Óh minha rouxinol divina!
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