DONA DE ROLA
-pornô-
Veio o frio pelos corredores
e fechou a meia-noite o poente.
Lá fora alguém gritava que
a cidade estava ausente.
Pelos corredores escuros,
o cemitério se abria, às 12 da noite,
o passado espiritual
um berimbau na boca tinha.
Nada mais do que isso,
dizia para mim as meninas,
de olhos azuis tropicais,
e pequenas calcinhas finas.
Pela compreensão simpática
dos perseguidos, vi ela montada
de cigana negra.
Ela me olhou na metrópole
cinzenta, com perfumes
de jasmin e noites do Harlem denso.
Ela já era brasileira por isso mesmo,
e minhas mãos tinham um poema de cimento.
O turismo cultural dos olhos
era uma figura capitalista que sofria.
Lá fora o sistema financeiro inteiro
de wall street me repudia, e ela me
acenava com mãos de pombas frias.
Estás com frio filho meu, ela perguntava
com ousadia, com dolorosa mancha
de seios no presente da ousadia.
Veio o frio pelos corredores
e fechou a meia-noite o poente.
Lá fora alguém gritava que
a cidade estava ausente.
A cidade era neutra, uma crise infinita.
E pelos muros andavam a
solidariedade profunda.
O sistema econômica dela
pulsava duro, e ela tinha
corpozinho ágel de mariposa felina.
A engrenagem pulsava
sua espiritualidade fria,
e dançava à pulsação das mortes
de todas as esquinas.
Seus olhos seguiam
tarde pelas margens sem
alegria, e ela se dividia
entre mim e a alergia.
Seus cabelos de liturgia e mistério
eram trágicos e sagrados,
ó poente que assimilava
os rituais judaicos,
entre o poço das horas o relógio assobiava
frias frutas maduras
de outroras necessidades.
Entre o exército de janelas mortas
o ouro vazio da metrópole gritava,
e o deus dinheiro rindo era feroz e triste.
Entre a dor e compaixão ela me acenava,
Antigo sonho de cristal,
duro e telúrico, sua voz emocional
me acompanhava. Óh melancolia
dos amores d' minha alma.
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