sexta-feira, 13 de março de 2026

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 DONA DE ROLA

-pornô-

Veio o frio pelos  corredores

e fechou a meia-noite o poente.

Lá fora alguém gritava que

a cidade estava ausente.


Pelos corredores escuros, 

o cemitério se abria, às 12 da noite,

o passado espiritual 

um berimbau na boca tinha.


Nada mais do que isso,

dizia para mim as meninas,

de olhos azuis tropicais,

e pequenas calcinhas finas.


Pela compreensão simpática

 dos perseguidos, vi ela montada

 de cigana negra.

 Ela me olhou na metrópole


 cinzenta, com perfumes 

de jasmin e noites do Harlem denso.

Ela já era brasileira por isso mesmo,

e minhas mãos tinham um poema de cimento.


O turismo cultural dos olhos 

era uma figura capitalista que sofria.

 Lá fora o sistema financeiro inteiro

 de wall street me repudia, e ela me 


acenava com mãos de pombas frias.

 Estás com frio filho meu, ela perguntava

 com ousadia, com dolorosa mancha

 de seios no presente da ousadia.


Veio o frio pelos  corredores

e fechou a meia-noite o poente.

Lá fora alguém gritava que

a cidade estava ausente.


A cidade era neutra, uma crise infinita. 

E pelos muros andavam a 

solidariedade profunda. 

O sistema econômica dela

pulsava duro, e ela tinha

 corpozinho ágel de mariposa felina.


A engrenagem pulsava

 sua espiritualidade fria, 

e dançava à pulsação das mortes

 de todas as esquinas. 

Seus olhos seguiam 

tarde pelas margens sem 

alegria, e ela se dividia 

entre mim e a alergia.


Seus cabelos de liturgia e mistério 

eram trágicos e sagrados, 

ó poente que assimilava

 os rituais judaicos, 


entre o poço das horas o relógio assobiava

frias frutas maduras

de outroras necessidades.


Entre o exército de janelas mortas 

o ouro vazio da metrópole gritava,

 e o deus dinheiro rindo era feroz e triste.

 Entre a dor e compaixão ela me acenava, 


Antigo sonho de cristal, 

duro e telúrico, sua voz emocional 

me acompanhava. Óh melancolia 

dos amores d' minha alma.

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