Eu estava no MoMA, olhando para um Rothko, e pensando: "Deus, como eu queria ter pintado isso". Não porque eu tenha talento, mas porque ele morreu, e eu ainda estou aqui, pagando aluguel e me preocupando com um melanoma inexistente na minha orelha esquerda. E então me ocorreu: e se eu o levasse para casa? Não por ganância, entendam. Eu não quero vender o Rothko. Eu quero me deitar com ele. Eu quero discutir Bergman com ele. Eu quero roubá-lo, é claro, com amor. É como quando eu "peguei emprestado" o cachecol daquela violoncelista francesa que morava no Upper West Side. Eu não precisava do cachecol. Eu tenho um pescoço perfeitamente funcional e um armário cheio de lã. Mas eu queria um pedaço dela. Eu queria absorver sua essência gaulesa através da fibra acrílica. Isso não é crime, é obsessão estética. Aí reside o problema do imperativo categórico de Kant. Kant não levava em conta a paixão desesperada. Se eu roubo o seu coração, eu sou um romântico. Se eu roubo o seu relógio Cartier para poder pagar um jantar em que eu tentarei roubar o seu coração, eu sou um delinquente juvenil. Onde está a justiça cósmica nisso?
No final das contas, todos nós estamos roubando tempo. Roubando oxigênio. Roubando as falas de Casablanca para usar em encontros ruins. A vida é um longo roubo a banco, onde o cofre está vazio e o alarme nunca para de tocar. Então, sim, eu vou levar o Rothko. Mas eu vou deixar um bilhete de desculpas muito bem escrito e, possivelmente, uma recomendação de um ótimo psicanalista em troca.
Afinal, eu sou um ladrão, mas eu sou um ladrão civilizado.
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