VAMOS
Vamos, que a terra não dorme sob o chicote do dono,
ela espera o arado, o suor, a semente que dormita,
a terra é um coração vasto, de barro e de sono,
que clama pela mão do homem que a ama e a habita.
Brasil, pátria de espanto, de latifúndio e de açoite,
teus campos são oceanos onde a fome constrói seu ninho,
há uma sombra que estende a sua fome pela noite,
enquanto o dono do mapa se perde em seu próprio caminho.
Vamos, a terra é dos pés que a pisam, das mãos que a sangram,
a terra não é papel, não é título, não é ouro que se guarda,
ela é o útero antigo onde os pães se consagram,
e é hora de arrancá-la do grilhão que a retarda.
Ergue-te, lavrador, com tua fronte de sol e de bruma,
a lei está na raiz, na seiva, no trigo que espera,
o país é um corpo só, e não haverá fortuna alguma
que resista ao clamor de tua imensa primavera.
Vamos, que o suor é o único dono do que brota,
o resto é cinza, é silêncio, é o que o vento apaga.
Que a terra seja, enfim, a justiça que se faz nota,
na boca do povo, na mão do trabalhador, na alvorada que vinga.
Nenhum comentário:
Postar um comentário