terça-feira, 31 de março de 2026

VAMOS

 VAMOS


Vamos, que a terra não dorme sob o chicote do dono,

ela espera o arado, o suor, a semente que dormita,

a terra é um coração vasto, de barro e de sono,

que clama pela mão do homem que a ama e a habita.


Brasil, pátria de espanto, de latifúndio e de açoite,

teus campos são oceanos onde a fome constrói seu ninho,

há uma sombra que estende a sua fome pela noite,

enquanto o dono do mapa se perde em seu próprio caminho.


Vamos, a terra é dos pés que a pisam, das mãos que a sangram,

a terra não é papel, não é título, não é ouro que se guarda,

ela é o útero antigo onde os pães se consagram,

e é hora de arrancá-la do grilhão que a retarda.


Ergue-te, lavrador, com tua fronte de sol e de bruma,

a lei está na raiz, na seiva, no trigo que espera,

o país é um corpo só, e não haverá fortuna alguma

que resista ao clamor de tua imensa primavera.


Vamos, que o suor é o único dono do que brota,

o resto é cinza, é silêncio, é o que o vento apaga.

Que a terra seja, enfim, a justiça que se faz nota,

na boca do povo, na mão do trabalhador, na alvorada que vinga.

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