Mutação Amarga
Debaixo do arco do tempo,
onde a lua é um gume frio,
muda o mais fino brilhante
sua face no leito do rio.
De mão em mão vai o brilho,
moeda de fogo e de sal,
enquanto muda o pajarillo
seu canto no canavial.
Muda o ninho sua palha,
muda o rumo o caminhante,
sob a sombra da navalha
muda a alma da amante.
Ay, que o mundo gira em círculos
com dentes de bronze e pano,
pois mudar o que é de seda
é sempre causa de dano.
Vocês amam o movimento,
o vento que vira o estranho,
mas o que muda na carne
deixa o rastro do rebanho.
Tudo muda sob o galho,
muda a rosa e o metal,
só não muda o meu desterro
neste eterno laranjal.
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