terça-feira, 31 de março de 2026

Mutação Amarga

 Mutação Amarga


Debaixo do arco do tempo,

onde a lua é um gume frio,

muda o mais fino brilhante

sua face no leito do rio.


De mão em mão vai o brilho,

moeda de fogo e de sal,

enquanto muda o pajarillo

seu canto no canavial.


Muda o ninho sua palha,

muda o rumo o caminhante,

sob a sombra da navalha

muda a alma da amante.


Ay, que o mundo gira em círculos

com dentes de bronze e pano,

pois mudar o que é de seda

é sempre causa de dano.


Vocês amam o movimento,

o vento que vira o estranho,

mas o que muda na carne

deixa o rastro do rebanho.


Tudo muda sob o galho,

muda a rosa e o metal,

só não muda o meu desterro

neste eterno laranjal.

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