terça-feira, 2 de setembro de 2025

Novas visões - os provérbios perdidos.


¹ Não crer na Eternidade

é pensar em si mesmo como sabão que derrete

até o último fim da espuma.


² O cão late — ora para guardar o dono do ladrão,

ora para mostrar-lhe amor,

pois o instinto é também chama do espírito.


³ O Sol nada diz,

mas no tempo certo veste a Terra de ouro,

e o silêncio é sua língua.


⁴ O morcego repousa na treva,

mas o vaga-lume semeia luz entre as árvores,

como estrela caída na floresta.


⁵ As velhas avós muito sabem;

não desprezes a sabedoria enrugada,

pois há memória no pó dos ossos.


⁶ Embora haja velhos tolos,

há jovens que falam como profetas,

e a boca da infância pode ressoar eternidade.


⁷ A vaidade é rio impuro:

fede, não cria peixes,

apenas espuma morta que retorna ao nada.


⁸ O Rei deve governar para o bem ou para o mal,

pois a Democracia, com mil vozes dissonantes,

abre também caminho ao brado dos insensatos.



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