¹ Não crer na Eternidade
é pensar em si mesmo como sabão que derrete
até o último fim da espuma.
² O cão late — ora para guardar o dono do ladrão,
ora para mostrar-lhe amor,
pois o instinto é também chama do espírito.
³ O Sol nada diz,
mas no tempo certo veste a Terra de ouro,
e o silêncio é sua língua.
⁴ O morcego repousa na treva,
mas o vaga-lume semeia luz entre as árvores,
como estrela caída na floresta.
⁵ As velhas avós muito sabem;
não desprezes a sabedoria enrugada,
pois há memória no pó dos ossos.
⁶ Embora haja velhos tolos,
há jovens que falam como profetas,
e a boca da infância pode ressoar eternidade.
⁷ A vaidade é rio impuro:
fede, não cria peixes,
apenas espuma morta que retorna ao nada.
⁸ O Rei deve governar para o bem ou para o mal,
pois a Democracia, com mil vozes dissonantes,
abre também caminho ao brado dos insensatos.
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