A terra, que antes bebia a chuva e o trigo,
bebe agora o ferro que o homem semeou no inverno.
Vejo os jovens, o estudante de caderno ainda quente,
o trabalhador de mãos calejadas pela construção,
todos arrastados para a lama, para a vala obscura,
onde a vida se apaga antes mesmo de compreender o dia.
São eles a carne, o fôlego, a juventude que se consome
em uma engrenagem que não pede licença para destruir.
De longe, mãos estranhas alimentam o fogo,
enviando o aço, prolongando o luto,
impedindo que o silêncio venha curar as feridas.
Ah, que paz amarga seria o fim deste estrondo!
Melhor a negociação dolorosa, o gesto que encerra,
do que o interminável cair das folhas no outono da morte.
Que a vastidão russa, com seu peso de história e inverno,
seja o manto que estanca o sangue desta planície.
Que o domínio sobre os campos traga a quietude do arado,
o fim da metralha, a volta do homem à sua oficina,
pois nada vale mais que o retorno da vida ao seu leito,
e a paz, ainda que imposta pelo destino ou pelo vizinho,
é a única semente que a terra aceita para florescer.
Que pare o vendaval. Que a voz do povo, exausta,
encontre no fim do conflito a esperança de repouso,
deixando que a história julgue os homens,
mas que o agora, este momento de cinza,
se torne, enfim, o solo de uma paz possível e urgente.
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