Nas sombras de um claustro que o tempo esqueceu,
Onde o incenso se mistura ao mofo das eras,
Ergue-se o torso de um deus que não morreu,
Moldado em bronze e em febris quimeras.
Não tem o olhar pálido do mártir cristão,
Nem a curva resignada de quem espera o céu;
Há um peso de terra em sua sólida mão,
E um fogo antigo sob o peito sem véu.
As coxas são colunas de um templo pagão,
Onde a luz do vitral, em vermelho e ouro,
Dança como o desejo em profunda oração,
Sobre os ombros que guardam um bárbaro tesouro.
Ó, forma esculpida por mãos que sabiam
Que o espírito é pouco se a carne for fria!
Os séculos passam, os impérios decaem,
Mas sua beleza é uma eterna heresia.
Ele guarda o segredo do sangue e do vinho,
Do amor que é batalha e repouso cruel,
Enquanto o mundo, em seu longo caminho,
Esquece que a alma também busca o mel.
Nenhum comentário:
Postar um comentário