segunda-feira, 2 de março de 2026

O Ídolo no Crepúsculo de Bronze


Nas sombras de um claustro que o tempo esqueceu,

Onde o incenso se mistura ao mofo das eras,

Ergue-se o torso de um deus que não morreu,

Moldado em bronze e em febris quimeras.

Não tem o olhar pálido do mártir cristão,

Nem a curva resignada de quem espera o céu;

Há um peso de terra em sua sólida mão,

E um fogo antigo sob o peito sem véu.


As coxas são colunas de um templo pagão,

Onde a luz do vitral, em vermelho e ouro,

Dança como o desejo em profunda oração,

Sobre os ombros que guardam um bárbaro tesouro.


Ó, forma esculpida por mãos que sabiam

Que o espírito é pouco se a carne for fria!

Os séculos passam, os impérios decaem,

Mas sua beleza é uma eterna heresia.

Ele guarda o segredo do sangue e do vinho,

Do amor que é batalha e repouso cruel,

Enquanto o mundo, em seu longo caminho,

Esquece que a alma também busca o mel.


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