sábado, 28 de março de 2026

No limiar do corredor, onde a poeira dança em espiral...

 No limiar do corredor, onde a poeira dança em espiral,

A lua espia pelo vitral, num brilho frio e desigual.

As sombras se alongam, dedos de ébano a tatear,

E o tempo estagna, sem fôlego, sem pressa de passar.


Você me olha com olhos de vidro, num rosto de porcelana,

Enquanto a melodia espectral, em notas tortas, emana.

O silêncio é uma partitura que o vento insiste em dedilhar,

No cenário esquecido deste lugar que cansou de esperar.


Então, num sussurro que faz a própria alma tremer,

Você indaga, com um sorriso de quem sabe o que é perder:

"Prefere que eu apague as luzes do casarão?

Adoro um sonho musical..."


E assim, o mundo se apaga, mergulhando no breu,

Onde o piano toca sozinho, e o pesadelo é todo seu.

Sem luz, a música ganha corpo, espectros a rodopiar,

Numa valsa eterna e sombria, onde só o medo sabe dançar.

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