No limiar do corredor, onde a poeira dança em espiral,
A lua espia pelo vitral, num brilho frio e desigual.
As sombras se alongam, dedos de ébano a tatear,
E o tempo estagna, sem fôlego, sem pressa de passar.
Você me olha com olhos de vidro, num rosto de porcelana,
Enquanto a melodia espectral, em notas tortas, emana.
O silêncio é uma partitura que o vento insiste em dedilhar,
No cenário esquecido deste lugar que cansou de esperar.
Então, num sussurro que faz a própria alma tremer,
Você indaga, com um sorriso de quem sabe o que é perder:
"Prefere que eu apague as luzes do casarão?
Adoro um sonho musical..."
E assim, o mundo se apaga, mergulhando no breu,
Onde o piano toca sozinho, e o pesadelo é todo seu.
Sem luz, a música ganha corpo, espectros a rodopiar,
Numa valsa eterna e sombria, onde só o medo sabe dançar.
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