Não, não me venham com mapas abertos na mesa da cozinha,
não me falem das luzes de Paris ou do pó das ferrovias da Ásia.
Não quero conhecer o mundo —
esse bicho grande, barulhento, de engrenagens cegas
que engole os dias e cospe horas vazias.
Eu quero apenas a geografia da tua cama.
As fronteiras que os teus lençóis desenham quando se amassam,
o clima que muda de repente quando o teu pé toca o meu
no escuro que protege e não pergunta nada.
O mundo é um sujeito de terno que mente sobre o progresso,
mas aqui, entre o travesseiro e a tua respiração,
as leis são outras:
aqui o tempo não corre para atingir metas,
ele apenas dorme, pesado e satisfeito.
Deixem que os generais conquistem territórios,
deixem que os poetas expliquem as estrelas.
Eu encontrei meu continente,
minha paz, minha pequena rebelião de algodão e pele.
O resto é ruído;
o resto é apenas o mundo tentando ser importante.
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