Sinos partidos no vento.
Catedrais com vitrais cegos —
o ouro descascado
como um dente antigo.
Roma ecoa
em latim rachado.
O cordeiro perdeu o pasto,
os pastores vendem mapas
de um céu hipotecado.
Silêncio.
Entre colunas tombadas
cresce hera sobre evangelhos,
e a cruz, antes farol,
é ferrugem na névoa.
Mas não há triunfo nos bosques.
Os deuses de mármore
têm olhos vazios;
Baco tropeça bêbado
na própria vinha,
e Vênus, cansada,
vende conchas de plástico.
Nem o incenso
nem o vinho
salvam o homem
de sua própria poeira.
Civilizações caem
como folhas fora de estação —
cristãs ou pagãs,
todas prometem eternidade
com a mesma tinta frágil.
O mundo antigo
e o mundo santo
partilham o mesmo barro.
E sob o céu etéreo,
indiferente,
o homem ergue templos
para esconder
o vazio
que o sustenta.
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