A Costa Inútil
O sol, de um amarelo pálido e barato,
Desce sobre as cadeiras de plástico e o café frio,
Onde a luz do entardecer faz um acerto de contas
Com o que resta do verão — este tédio que se arrasta.
Pessoas passam, ou talvez sejam apenas sombras
Ajustando os casacos contra um vento que insiste
Em soprar do mar que não conhece o nosso nome.
Olho para o mapa desdobrado na mesa,
Para o traçado de estradas que levam a lugares
Onde o brilho é apenas a falha da lente,
E pergunto, enquanto o cinzeiro se enche de cinzas:
Será que tudo é um sonho espanhol melancólico e frio?
Uma encenação de luzes contra o fim iminente,
Onde a alegria é só o preparo para a ausência?
Aqui não há guitarras, apenas o ruído do tráfego
E a percepção, lenta e impiedosa, de que o tempo
Não nos pertence, e que o paraíso, se existiu,
Foi apenas um lugar onde esquecemos de verificar
Se as malas estavam, de fato, trancadas.
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