Chico voltava do campo exausto, os ombros carregando o calor do sol, os pés enfiados na poeira da terra que parecia querer engolir tudo. Decidiu ir ao mato, buscar um pouco de sombra, e ali, entre o cheiro úmido das folhas e o silêncio quebrado apenas pelo canto distante de um sabiá, inclinou-se para urinar.
Mas então aconteceu algo que o fez estremecer. Não era o xixi comum, amarelo e líquido, mas pequenas mariposas que surgiam de seu corpo, pairando no ar, vibrando com cores que não existiam, formas que nenhum artista poderia imaginar. As asas tremiam como se fossem pensamentos, intenções, sonhos não ditos.
Chico recuou um passo, assustado e maravilhado. As mariposas giravam ao seu redor, dançavam entre os galhos, pousavam nas flores como se as convidassem para um baile secreto. Sentiu, então, que aquilo não era apenas um fenômeno, mas a revelação silenciosa de sua própria alma: cada intenção, cada gesto do dia no campo, havia se transformado em vida, havia se tornado magia.
O jovem permaneceu ali, imóvel, até que o sol começou a se deitar no horizonte, tingindo o céu de vermelho e dourado. As mariposas se dispersaram, voaram para o infinito do mato, e Chico voltou para casa com o coração inquieto, sabendo que, às vezes, o mundo se dobra de maneiras inexplicáveis e belas, revelando que até o mais humilde dos homens pode gerar milagres sem querer.
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